Eu ganhei esse livro na metade do ano passado. Ele ficou escondido por entre os outros que eu já havia lido duas ou três vezes.
Quando eu me mudei, e meu quarto ganhou mais vida, não consegui esconde-lo tão bem quanto antes. Ele parecia gritar, porém, eu olhava para o outro lado, aumentava a música e fingia que não o escutava.
Meses se passaram até que chegou o dia em que eu já não podia mais suportar. Nunca imaginei que folhas de papel pudessem fazer tamanho barulho. Abri aquelas páginas amareladas e comecei a ler. E quer saber? Me arrependi de não te-lo lido antes.
Memorial de Aires é escrito como um diário. O livro começa com uma visita de Aires com sua mana Rita, ao jazigo da família, onde lá vêem Fidélia, uma viúva por quem Aires se apaixona. No decorrer do livro podemos observar o prazer que ele sente nas coisas mais simples, especialmente no convívio com seus amigos. Mas também uma certa solidão na velhice dele. O final da história, infelizmente, foi como previ. E seria mentira se eu dissesse que não derramei uma lágrima sequer.
